Montanha Para Todos

Primeira expedição brasileira de para-atletas para uma montanha com mais de 6000 metros

A força e a determinação que algumas pessoas têm para lidar com os desafios da rotina e realizar as mais simples tarefas é a grande fonte de inspiração para o projeto Montanha Para Todos.

O Brasil inteiro se emocionou quando a história de Juliana Tozzi e Guilherme Cordeiro e ganhou repercussão na mídia nacional. Juliana vivia normalmente e praticava montanhismo com seu marido até que uma rara síndrome neurológica lhe tirou a coordenação dos movimentos. Sabendo a falta que a montanha fazia para Juliana, Guilherme desenvolveu uma cadeira de rodas especial para poder levá-la até as trilhas que costumavam fazer antigamente.

Raphael Nishumura convive desde a infância com os desafios que a distonia muscular traz para sua vida. Mesmo com dificuldades de movimentação, Raphael decidiu se tornar um escalador esportivo. Atualmente ele é vice-campeão mundial de Para-Escalada além de praticante de para-ciclismo.

Motivado por essas incríveis histórias de superação o Montanha Para Todos em Alta Montanha teve o objetivo de compartilhar a experiência única de estar tão alto com essas pessoas que são exemplos de luta e perseverança.  O destino escolhido pela equipe Gente de Montanha foi o Vulcão Acotango, na Cordilheira Ocidental da Bolívia, com seus majestosos 6.052 metros de altitude.

Essa expedição foi uma grande chance de ter uma experiência diferente na montanha, nossa intenção não era provar que portadores de deficiências conseguem chegar no cume, nós já sabemos que eles conseguem. Mas foi muito mais que chegar ao cume, foi uma incrível experiência de vida para todos!

Chegamos no Cume do Chacaltaya em julho de 2018! E parte da Expedição chegou ao cume do Acotango.

Leia Mais sobre essa Aventura!

Escalar uma montanha com mais de seis mil metros de altitude é um desafio e um orgulho para qualquer montanhista experiente. No mês de julho, Juliana Tozzi foi a primeira montanhista brasileira com necessidades especiais a subir o Chacaltaya e também com a jornada até 5.80 metros de altitude no Monte Acotango, na Bolívia.  Também participou da expedição o paratleta, nosso amigo Rafael Nishimura. Um desafio vencido por ela e por toda a equipe que participou dessa jornada, mostrando que o amor pelas montanhas pode ser o sonho de qualquer pessoa que tenha determinação.

O casal e a equipe do Gente de Montanha desembarcaram em La Paz na segunda quinzena de julho. Após breve estadia na capital boliviana, o grupo fez seu primeiro contato com as montanhas em uma caminhada até o monte Chacaltaya com 5.400 metros para aclimatar. Como estava um pouco mais nevado do que eles esperavam, foi necessário fazer outra adaptação na cadeira de Juliana colocando um par de esquis para poder andar sobre a neve. “Na subida muitas pessoas passaram por nós e foram incentivando. No início utilizamos a cadeira com duas rodas, e no trecho com neve, utilizamos o par de esquis e foi um sucesso”, conta a guia do Gente de Montanha, Maria Tereza Ulbrich .

Foi um trabalho em parceira para que todos estivessem prontos para essa aventura, a correria para a adaptação da cadeira Julietti e ficamos imensamente felizes com a chegada do nosso time no Cume do Chachaltaya, uma sensação de satisfação que apenas essa primeira etapa da expedição foi de grande aprendizado para todos e foi uma grande inspiração para seguirmos com a programação da viagem, sabendo que já havia valido a pena.

A equipe seguiu para Vila Sajama, animados para o desafio que iriam encontrar, mas como na vida, na montanha também temos que nos adaptar a novas realidades, não contávamos com a virada no tempo. Uma nevasca chegou às montanhas e a vila ficou coberta com aproximadamente 30 cm de neve. Assim a expedição precisou esperar durante três dias para que o tempo melhorasse e houvesse boas condições para o ataque até o cume do Acotango. Os guias abriram uma nova rota para chegar à montanha enfrentando neve até a cintura em alguns pontos.  Também contaram com a ajuda de um trator da mineradora local que abriu mais a rota até a altitude aproximada de 5.300m.

Devido às mudanças nas condições climáticas e o atraso no itinerário da expedição, Nishimura decidiu voltar ao Brasil devido a outros compromissos, mas conta que a experiência foi muito especial. “Me fez ver como o esporte ajuda e agrega as pessoas, incentivando, compartilhando, conversando, convivendo, trocando informações. E o que é melhor, cada uma na sua forma, buscando atingir seus objetivos, sonhos, recordes, cumes e experiências de vida”, relatou Nishimura.

 As principais dificuldades encontradas por todos foi a altitude elevada e o frio intenso vindo junto com a nevasca. Juliana conta que sentia falta de ar, mas continuou firme com seus treinos funcionais e com a preparação física.  O casal também contou com o apoio de uma nutricionista que ajudou a manter uma boa alimentação mesmo tão longe de casa.  “Tudo ocorreu bem. Tínhamos medo dos efeitos da altitude, mas adoramos a experiência e queremos voltar para outras aventuras com certeza”, falou Cordeiro.

 Após três dias esperando o tempo melhorar, finalmente chegou o tão sonhado ataque ao cume. A equipe de guias utilizou sistemas de ancoragem, cordas e polias, mas com a neve ainda alta, a subida foi bem dura e um pouco mais demorada que o planejado. Ao chegar aos 5.800m, a equipe achou mais prudente se separar e evitar que chegassem ao cume e retornassem a noite. O que seria perigoso para Juliana e os demais integrantes.

Assim ela e parte da equipe desceram para a base enquanto o restante do time seguiu rumo ao cume. “Eu não guardo rancor por ele [Cordeiro] ter ido. E se não deu para eu ir tudo bem, eu vou numa próxima”, disse Juliana. Sebastian Gárcia, um dos guias convidados para participar da expedição, contou como foi emocionante a atitude Juliana ao saber que eles iriam descer para a base.  “Ela olhou para a luz do dia, para o que tínhamos feito e explodiu em um grito de emoção e alegria que nos contagiou por ter chegado até lá com ela”, falou.

Cordeiro conta que a subida foi exaustiva para ele, mas o que mais o incomodou foi não conseguir ajudar a empurrar a cadeira de Juliana.  Após dividirem o grupo, ele, Rafael Di Bernardi, Marcos Terra, Bernadete Panek, Clóvis Fitarelli, Eduardo Tonetti, Alex Tinta chegaram aos 6.052m, ponto mais alto do monte Acotango. “Eu precisava chegar lá em cima, porque o mais difícil eu já tinha feito que era ter me separado dela, e agora eu tinha que tocar pra cima e conseguir chegar”.

Para os que chegaram até ao cume e para os que decidiram descer a experiência foi única.  “Quando cheguei lá em cima no cume, acho que chorei mais pela Juliana não estar junto comigo do que por ter conseguido chegar. Mas foi um momento bem legal de superação, meu primeiro seis mil”, comenta Cordeiro. O casal e os guias pretendem retornar a esse desafio e chegar todos juntos ao cume, mas não negam que a jornada valeu a pena. “Apesar de não ter tocado o ponto mais alto daquela montanha, foi uma experiência muito importante, que preenche o coração e é difícil de explicar com palavras”, relata Gárcia.

Saiba mais sobre a expedição


Juliana Tozzi
e Guilherme Cordeiro

Raphael Nishimura

Juliana Tozzi nasceu em 1983 em SP, é contabilista e engenheira civil. Passou boa parte de sua vida trabalhando em grandes empresas até que, durante a gestação de seu filho Benjamin, desenvolveu uma rara síndrome neurológica que lhe tirou a coordenação dos movimentos.
Juliana já praticava montanhismo por muito tempo, mas foi depois da doença aparecer que o seu contato com a montanha ficou mais intenso. Para continuar indo para a montanha, o seu marido – o engenheiro civil paulista Guilherme Cordeiro – modificou uma cadeira que se adapta às condições ruins das trilhas brasileiras. Após uma foto do casal fazendo trilhas com a cadeira viralizar na internet, as coisas mudaram para os dois.
Eles criaram o projeto MONTANHA PARA TODOS que através da cadeira apelidada Julietti, querem tornar o montanhismo acessível para todos. Juliana já é conhecida como a primeira montanhista cadeirante do Brasil. Segundo seu marido Guilherme, uma das coisas que mais mudou foi a motivação da Juliana. Com todo o apoio que o casal vêm recebendo, ela está muito mais motivada para superar a doença.Conheça a história desse casal inspirador.
Raphael Nishimura é um escalador de rocha de 34 anos de SP que escala há 10 anos. Praticante de escalada esportiva e de competição, Raphael competiu em 3 etapas do Campeonato Mundial de Para-escalada em 2012 na França e saiu vice-campeão mundial! Esta foi a primeira medalha brasileira num campeonato mundial de escalada ou Para-escalada.
Ele tem uma doença neurológica chamada distonia muscular onde os impulsos elétricos vêm em grandes quantidades e isso gera muito descontrole para atividades simples. Nishimura teve os primeiros sinais da doença com 8 anos de idade e foi piorando desde então. Em 2014 passou por uma cirurgia para colocar um implante que emite impulsos elétricos, o que diminuiu a gravidade da doença.
Como se não bastasse se dar tão bem na escalada, em 2015 ele começou a competir em campeonatos de Para-ciclismo e já participou da Copa Brasil. Quem conhece o Raphael sabe da grande pessoa que está sempre sorrindo e enfrenta as grandes dificuldades que ele considera algo normal.
Atleta apoiado por ABEE, 90 Graus, Five Ten e Deuter.

Conheça a história do nosso amigo Nishimura


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