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Momentos -
Ganhando
esmola de um Mendigo Texto: Pedro Hauck Voltando do vulcão Chillán, nossas mochilas estavam vazias e o estômago roncando, foi quando andando nas ruas de Chillán encontramos um Hipermercado, uma boa oportunidade de abastecer nossa "despensa". Entramos no Supermercado e compramos tudo o que precisávamos e acabamos ficando sem dinheiro. Em uma tarde de sexta-feira, com os bancos já fechados não tínhamos possibilidade de trocar traveller cheques. Estávamos no meio de uma cidade de 150 mil habitantes em lugar onde não teríamos onde acampar, já que se hospedar em um hotel era uma coisa caríssima. Desta maneira, fomos logo para estrada pedir carona. A estratégia era chegar até um lugar acampável próximo de uma cidade onde pudéssemos esperar até segunda-feira para poder trocar moeda em um banco. Olhando no mapa, descobrimos este lugar, Concepción. Concepción fica próximo à Chillán, e é uma cidade litorânea, de forma que podíamos supostamente acampar em uma praia esperar até segunda-feira e para ir até Concepción, que é a terceira maior cidade chilena, trocar dinheiro e continuar a viagem. Ao contrário do que imaginávamos, as praias de Concepción não são um lugar tranqüilo onde poderíamos passar um final de semana agradável à espera de uma segunda-feira. Fomos parar em Penco, um balneário decadente, sujo e perigoso. Só fomos chegar lá no sábado, bem num dia que ia ter um baile Funk, acreditem, isto também tem por lá. Obviamente à noite não demorou muito para recebermos visitas. Uma dupla de maconheiros e bêbados foi bater na porta de nossa barraca de madrugada. Com medo, tivemos que ouvir conversa de bebum e ver todas as cicatrizes do elemento, inclusive uma causada por uma bala, mas no final tudo bem, os rapazes só queriam bater um papo. Antes deles irem embora um deles ainda disse que se fossemos assaltados, era só dizer que éramos amigos deles e que aí tudo ficava limpo! O mais engraçado aconteceu no dia seguinte. Estávamos na barraca vendo o tempo passar para ir embora dali quando apareceu um mendigo inventando uma história para pedir dinheiro. Como estava cansado de falar com bêbados, expliquei que só estava lá justamente por que não tinha nada além de uma moeda, e a mostrei para o mendigo. Imediatamente aquele mendigo, abriu um sorriso caridoso e com poucos dentes e nos ofereceu sua esmola do dia, além de uma hospedagem em seu barraco. Agradecemos o convite e a boa vontade do mendigo, e nos surpreendemos que uma pessoa que tem pouco, ainda tem a solidariedade de ajudar o próximo, mesmo que ela não tenha nada além de esmolas para ajudar. Leia também: Relato Odisséia Austral 2000
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