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Texto: Maximo Kausch Derrames retinais Além das inúmeras doenças de altitude descritas aqui, muitos dos escaladores que superam a barrereira dos 5000 metros voltam para casa com derrames retinais. Medicamente, o problema é descrito como Retinopatia de Altitude. De forma geral, retinopatia é o dano retinal causado por lesões de distintas origens. Retinopatia diabética por exemplo, é a causa mais popular de cegueira no mundo. Note que o tipo de retinopatia que estamos tratando aqui neste artigo difere muito do tipo mais popular. Ninguém sabe ao certo como e quando a Retinopatia de Altitude aparece. Devido ao fato dela não estar só ligada à baixa pressão e baixa concentração de O2, mas também à desidratação e exaustão, é muito difícil estudar esta doença em laboratório. As poucas imagens obtidas de retinas de escaladores, não são recentes, pois estes demoram dias ou até semanas em chegar a um oftalmologista capacitado em capturar imagens da retina. Analisando estatísticas e relatos, podemos abordar certos fatos que podem causar o problema: - Aclimatação
ruim No entanto ainda temos muitas questões: - Porquê alguns indivíduos
parecem ser imunes à doença? Mais a fundo
Os derrames aparecem de forma assimétrica e podem afetar tanto as extremidades, como o centro da visão. O processo é indolor e não apresenta sintomas se os derrames não atrapalharem a visão. Repare no pequeno ponto escuro presente no centro da retinografia do meu olho esquerdo. Por causa deste pequeno derrame, perdi a visão por 3 dias e fiquei com ela gravemente alterada por mais de 2 meses. Atualmente, a minha visão ainda está alterada. Ter um derrame retinal não significa que você vai ficar cego. Repare que além do pequeno ponto no centro da minha visão (acima), outras dezenas de derrames se espalham por toda a retina, alguns deles muito maiores do que o do centro. Nenhum destes outros derrames me trouxe problemas. Leia mais sobre o caso: Piores Momentos - Cego no Tadjiquistão
As retinografias ao lado, por exemplo, são de um escalador que teve sua visão obstruída subitamente. Apesar das hemorragias serem aparentemente grandes, elas foram totalmente absorvidas 2 meses após a exposição à altitude e o escalador se recuperou totalmente. Tudo vai depender da sorte que você tiver. Se você já passou mal na altitude alguma vez, é um grande candidato para um derrame retinal. Se este não afetou a sua visão, você nunca vai saber se teve um, pois não procurou um oftalmologista para saber (não culpo ninguém por isso, pois tirar fotos da retina é um processo um tanto incômodo). Geralmente, os derrames são absorvidos entre 2 a 8 semanas após o indivíduo ter descido às altitudes normais. Em boa parte dos casos, os derrames não deixam seqüelas, e são absorvidos totalmente. No entanto, em poucos casos, cicatrizes persistem, e o dano é irreversível. É um tanto quanto que raro, mas alguns derrames podem ficar ainda maiores. Para se assegurar de que isso não está acontecendo, oftalmologistas injetam um líquido com contraste fluorescente no sangue e acompanham a circulação do próprio através de câmeras com filtros especiais. As imagens são chamadas angiofluoresceinografias (fotos monocromáticas acima). O processo permite saber se existem rompimentos de vasos na retina, o que indica que o derrame pode aumentar. A melhor maneira de evitar que as hemorragias aumentem, é descer assim que você perceber e procurar um profissional para descobrir o que está acontecendo. Minhas recomendações Você sempre vai correr o risco de ter problemas retinais se estiver escalando montanhas de altitude. Se por alguma razão, você estiver usando Ibuprofen, ou Diamox, tenha extra cuidado com a hidratação já que estes dois são diuréticos. Jamais misture altitude, esforço físico e desidratação. Derrames retinais podem ser um sintoma de que a sua aclimatação não está sendo bem sucedida, não continue subindo se você detectar o problema. Novamente, como eu já concluí em vários outros artigos, uma boa aclimatação vai minimizar muitos problemas, senão acabar com eles. Leia mais: Piores
Momentos - Cego no Tadjiquistão
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