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Diferentes
versões para construir uma parede de escalada
Texto: Pedro Hauck / Maximo Kausch
Versão
de Pedro Hauck: Uma parede à prova de terremotos
Janeiro,
mês de férias, calor chuva e marasmo. Depois de cinco anos
de expedições em montanhas andinas, pela primeira vez sou
obrigado a permanecer em casa. O ano de 2004 havia sido bom para mim na
escalada em rocha. A greve na faculdade me propiciou muitas escaladas
no meio da semana e eu mantive um ritmo forte, mas faltou uma progressão.
Foi quando resolvi
reaver um projeto antigo de construir um muro de escalada particular para
que eu pudesse treinar e assim tentar resolver forçar minha progressão
na escalada em rocha. A parede não podia ser qualquer uma, pois
eu iria permanecer um ano a mais apenas na minha república, tempo
de terminar o curso de geografia e, talvez voltar para casa. Eu precisava
então de uma parede que tivesse uma estrutura desmontável,
para que no futuro eu pudesse me mudar e levar meu muro particular comigo.
Para construir
minha parede, não economizei recursos. Já que não
estava na montanha, resolvi trazê-la para minha casa. Desenhei um
projeto e mandei para um serralheiro. A idéia era fazer uma parede
para treinar força, por isso a desenhei bastante negativa e com
um grande teto.
"Maomé não vai à montanha, a montanha vai
à Maomé"
O
serralheiro fez uma bela estrutura, todas as juntas eram parafusáveis
de forma que quando eu me mudar, minha parede vai comigo. Ficou pesada,
mas uma vez fixa no chão, ficou tão forte que nem um terremoto
derruba. Depois de pronta, veio a hora de fixar os maderites na estrutura.
Escolhi maderites de 20 mm de espessura, fiz os furos direto na estrutura
contando com ajuda de mais três amigos e os parafusei com parafusos
normais. Só depois de fixo, comecei a furar os maderites para prender
as porca-agarras. Escolhi porca agarras de 1/2 polegada por serem mais
fortes e finalmente fixei minhas agarras.
Escolher
as agarras para a parede é uma coisa muito particular. Existem
vários fabricantes nacionais com produtos de boa qualidade. Na
hora de escolha dê preferência à agarras menos ásperas,
que irão destruir menos suas mãos, e agarras com lados arredondados,
para não desenvolver tendinite. Uma parede deve ter 60% de agarras
de tamanho médio. Numa parede como a minha, é necessário
agarras grandes para o teto, mas geralmente dividem-se os 40% restantes
pela metade entre agarras pequenas e grandes.
A construção
da parede ficou mais cara do que se eu tivesse feito com sucata. No entanto,
como eu não tinha feito minhas tradicionais viagens de janeiro,
tive o luxo de gastar 750 reais na estrutura e mais 300 com maderites,
parafusos, porca-agarras, tinta, etc... As agarras foram outra história,
mas por fim, consegui uma boa progressão, só que com a volta
das aulas, perdi meu ritmo de idas para a rocha e fiquei somente me mantendo
no muro, que é melhor do que nada!
Versão
de Maximo Kausch: Parede feita de sucata
É
como dizem: "Do pó ao pó, das cinzas às cinzas",
da sucata à parede de escalada!". Como qualquer escalador
que está longe da rocha depois de muito tempo, comecei a ficar
com peso na conciência em não estar treinando os dedos. Naquela
ocasião no final 2003, dedicava todo o meu tempo a trabalhar para
financiar as minhas escaladas em alta montanha. Foram várias as
escaladas nos Alpes em que eu voltava para casa todo escoriado e barbudo,
e totalmente destreinado. Decidi fortalecer um pouco os dedos e comprei
um kit de 8 micro agarras. A intenção era de parafusar as
agarras na parede do lado de fora da minha casa, mas como o clima na Inglaterra
em janeiro não é muito favorável, isso teria que
ser feito baixo algum teto.
Um
galpão abandonado no fundo da minha casa ofereceria uma boa opção.
Inicialmente tive a idéia de parafusar as agarras numa porta velha
e usar as próprias concavidades do desenho da porta como agarras
também. A idéia foi boa, mas uma porta oferece uma superfície
muito pequena para escalar, teria que usar mais portas. Uma coisa leva
à outra, e com sucata à vontade, a parede chegou a 5,5 metros
de altura, por 2.3 de largura. O princípio de construção
é bem simples. Uma base é montada com 2 caibros de madeira.
Parafusei portas velhas para ter uma estrutura forte, e cobri com pedaços
de maderite que achei.
Tive
muito trabalho para levantar a estrutura e colocá-la de pé,
pois ela toda pesava pelo menos 200 kg. Com a parede de pé, chegou
a hora de dar uma certa inclinação. Fiz isso com 2 correntes
velhas presas à parede do galpão. Pronto!, a parede estava
de pé! agora só faltavam mais agarras! Claro, estas também
deveriam ser de sucata. Cabos de vassoura, tacos de sinuca, pedaços
de cadeiras velhas, trancas de portas e até mesmo uma aranha de
borracha dura foi usada como agarra.
Ganhei
algumas agarras de verdade como presente de aniversário e estas
deram um grande impulso à minha parede de sucata, já que
comecei usar as agarras de verdade como impulso para botes. A diversão
toda começou quando Fábio
Dellalio mudou para lá em 2004. Passamos infinitas tardes ensaiando
novos movimentos usando a sucata. A parede jamais apresentou defeitos
e podíamos, de fato, ganhar muita força nos dedos e também
destreza. Coloquei um colchão velho na base da parede para podermos
cair com segurança.
Ao todo, gastei
aproximadamente 100 reais na parede, fora parafusos e algumas horas de
trabalho. A vantagem de usar sucata, além do preço, é
que não se criam laços à parede de escalada como
Pedro acabou criando com a dele. A minha foi abandonada quando mudei de
casa. E novamente, do pó ao pó, das cinzas às
cinzas, da parede à sucata...
Já estou
pensando em construir uma parede nova, só que desta vez não
vou gastar tanto dinheiro...
Escolha a sua
versão e mãos à obra!
Veja também:
Algumas
cenas filmadas na parede de sucata
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