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Texto: Maximo Kausch Entendendo os congelamentos
Um dos primeiros contatos que montanhistas tem com algo relacionado à congelamentos é a vasoconstricção em extremidades corporais (dedos, nariz, orelhas). Um exemplo muito comum é quando tiramos as luvas para tirar uma foto ou manipular equipamentos. O chamado "frio de doer" primeiramente, faz com que a circulação diminua nos capilares das extremidades corporais. Voltar a circulação ao normal é algo doloroso, mas geralmente acabamos conseguindo isso em alguns instantes com as mãos nos bolsos. Em alguns casos, escaladores reclamam que ficaram com dedos dormentes. Pois bem, o congelamento, é apenas conseqüência de uma exposição mais demorada no "frio de doer". Confie em mim, você não quer ter congelamentos. A recuperação destes pode demorar anos!
Há três graus de congelamentos, cada um deles vai depender do estado clínico e/ou estágio de evolução. O chamado primeiro grau se caracteriza por pelo tom acinzentado que o membro ganha após a exposição ao frio. Muita dor é sentida durante o reaquecimento deste e a sensibilidade é perdida. A total recuperação não passará de algumas semanas. O segundo grau superficial é quando visíveis bolhas aparecem na área afetada, 12 horas após a exposição. Quando dedos da mão são afetados, estes recebem o nome de "dedos de salsicha". A recuperação também dura algumas semanas, mas os problemas de sensibilidade podem demorar mais em acabar. O segundo grau profundo é caracterizado por insensibilidade total do membro, aparição de algumas bolhas de sangue e inchamento mais acima da área afetada. Quando cristais de gelo já estão formados no tecido, este já está necrosado e o dano é irreversível. Se estes congelamentos profundos resultam em necroses (e amputações em conseqüência), o congelamento passa a ser um terceiro grau. Há uma grande chance que congelamentos de terceiro grau não tratados evoluam para gangrenas, o que pode ser perigoso à vítima e levar ao óbito. Agravantes para as chances de congelamentos
Exaustão: Num quadro de exaustão total sob temperaturas extremas, o corpo simplesmente pára de destinar calorias às extremidades para concentrá-las na região do tórax e cabeça. Mesmo com o uso de roupas feitas para aquelas condições, congelamentos aparecerão facilmente. Além da parte fisiológica, o psicológico do escalador fica muito afetado quando ele está exausto. É normal que escaladores fiquem indiferentes à situações perigosas e mesmo princípios de congelamentos ou doenças de altitude. A despreocupação do escalador diante do perigo (causada principalmente pela exaustão) é o que mais causa tragédias em montanhas. O tratamento Primeiramente, submeta a área afetada à temperaturas maiores. Geralmente o tratamento é feito com água morna (38†C). É importante não sobreaquecer o membro pois isso piorar condição. Evite ao extremo qualquer tipo de exposição ao frio da área afetada. Com o reaquecimento do membro afetado, este ficará inchado.
No tratamento de um pé congelado por exemplo, é importante lembrar à vítima para não esfregar a área congelada. Uma caminhada de várias horas para encontrar ajuda, pode significar o fim do membro afetado. Jamais permita que a vítima caminhe com congelamentos nos pés. Lembre a vítima de não esfregar ou coçar a área. O melhor a se fazer, é enfaixar a área e protegê-la do frio, poeira e também de eventuais acidentes. É recomendável o reaquecimento de um pé afetado antes de qualquer atividade, pois este ficará inchado e não será possível usar uma bota. Acredite se quiser, mas a aspirina é uma das principais drogas no tratamento e prevenção de congelamentos. Esta mantêm o sangue num estado menos espesso. A Nifedipina também é usada pois é um vaso expansor e melhora a circulação de sangue espesso nas extremidades. Gangrena é uma necrose que sofreu a ação do ar ou bactérias. No caso dos congelamentos, a gangrena é chamada de "gangrena seca".
A área necrosada se desidrata e fica negra, com aspecto mumificado. As amputações são adiadas ao máximo com o intuito de deixar o tempo secar as necroses, sempre mantendo aceptia no local afetado para evitar infecções. Cirurgias de extração de tecido morto superficial são realizadas logo quando é descoberto o quão profunda é a necrose. É muito difícil estabelecer qual é o grau e profundidade de um congelamento logo nos primeiros dias. Geralmente, são necessários 4 dias para descobrir qual é o grau do congelamento e mais de 30 dias para saber onde será a linha de amputação (se necessária). Essa espera é uma tortura para o paciente. Afortunadamente, uma diagnosticação com tecnécio 99 começou a ser utilizada nos congelamentos e a espera se tornou menor. A técnica possibilita a visualização do tecido vivo, algo muito difícil através de técnicas tradicionais logo nas primeiras semanas. Pouquíssimos hospitais possuem este tipo de exame e experiência em tratamento de congelamentos. Geralmente, os casos mais graves são direcionados ao hospital de Chamonix, França, onde são tratados em média 80 casos de congelamentos por ano. A amputação de extremidades não é simples já que os ossos amputados devem ser arredondados para não danificarem o tecido envoltório. Geralmente, este segundo tratamento é feito em cirurgias posteriores. Quando há uma amputação, há perca de vasos sangüíneos que são responsáveis pela circulação sanguínea no resto do membro. Após uma amputação o membro fica muito mais propenso a sofrer congelamentos, pois a circulação deste é extremamente pobre. Prevenção Beber água e se aclimatar bem é a chave para prevenção de congelamentos em altitude. Mantêr o sangue num estado liqüefeito normal fará com que a circulação nas extremidades corporais seja constante, o que diminuirá os riscos de congelamentos. O uso de aspirinas como medida preventiva é também uma boa estratégia. A aspirina contribui não deixando o sangue engrossar tanto durante o processo de aclimatação. Nunca é demais dizer: POR FAVOR! Preste atenção no que você compra para colocar nas suas mãos e pés!!! Em cadeias montanhosas baixas como os Alpes, ou mesmo montanhas baixas ao redor de 4500 metros nos Andes, é aceitável o uso de botas semi-rígidas. Acima disso, ou em cadeias montanhosas nas extremas latitudes (Antártida, Alaska), no mínimo, são necessárias botas-plásticas. Em montanhas de 6000 metros no Alaska e Antártida e em montanhas de 8000 metros é preciso algo mais. Botas com polainas e isolamento incorporado como as Millet OneSport® ou Everest®, dominam os pés dos escaladores nas grandes altitudes. No entanto, é possível escalar com botas plásticas pesadas, com cobre-botas de neoprene. Luvas têm as suas limitações e por haverem tantos tipos e modelos é difícil uma apropriada. Sempre tenha uma luva nas mãos, mesmo na hora de manipular equipamentos. Há tipos de luvas bem finas que cumprem esta função. À temperaturas ambientes menores que -20†C, é imprescindível o uso de mitons. Não podemos esquecer que adição de vento (sensação térmica menor) e humidade (condução maior), podem fazer com que o seu corpo perca muito mais calorias. Um grande salto na prevenção de congelamentos nos pés e mãos, foi a invenção de aquecedores químicos. Geralmente estes vêm em pequenos sacos de tecido, pouco maiores que um saquinho de chá. Ao entrar em contato com o ar, eles produzem calor de até 80†C. Aquecedores químicos podem ser usados no interior de luvas e botas e geram calor por até 8 horas. Leia também:
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