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Como as montanhas são afetadas pelo aquecimento global Texto: Maximo
Kausch Cansei de ir a montanhas e descobrir que aquele verão ou inverno é o mais frio ou quente de tantas dezenas ou centenas de anos. Além disso, muitos fenômenos que parecem estar isolados estão ocorrendo nos últimos anos pela primeira vez, em centenas de anos. Lendo um pouco, descobri que na verdade, aquela história da geração futura, já vem afetando as montanhas bem antes de eu ter nascido (em 81). Não é preciso procurar muito, todo mundo que escala, ou já esteve em montanhas, conhece alguma história de fenômenos climáticos atípicos: Veja alguns exemplos aqui mesmo no GentedeMontanha.com Deserto do Atacama,
Chile, fevereiro de 2001, primeira chuva em 300 anos: Cervino, Itália,
junho de 2003: Cerro Rincón,
Argentina, janeiro de 2004 Lhotse/Everest,
Nepal, abril de 2005 Aconcágua,
Argentina, Fevereiro de 2004 Áreas afetadas: Glaciares Glaciares se formam em lugares onde o acúmulo de neve é maior do que o derretimento no verão. Seu tamanho, forma e espessura, vão depender da sua altitude e latitude onde estão localizados. Clique aqui para saber mais sobre glaciares Seja por excesso de calor no verão, ou mesmo falta de neve no inverno, milhões de glaciares na terra estão em processo de derretimento durante o último século. Eis alguns exemplos:
Além do derretimento dos glaciares em geral, o maior afetado pelo aquecimento global nas montanhas, é esta sensível camada chamada permafrost. Em regiões polares ou qualquer tipo de terreno onde a temperatura é negativa na maior parte do ano (como montanhas altas ou de grande latitude), uma camada de gelo foma-se sob a superfície do solo. Esta camada permanece congelada durante o ano todo. Rochas e qualquer tipo de material solto, ficam presos à montanha devido ao permafrost. Se estipula que o permafrost presente em montanhas de hoje em dia está lá desde o começo da última era glaciar (até 30 mil anos atrás). Durante os últimos 30 anos, por alguma razão, o permafrost de várias montanhas começou a derreter. Em conseqüência, todas as peças soltas presas a este, começaram a cair. Paredes e torres inteiras estão literalmente desmanchando. Veja alguns exemplos:
Mas afinal, o que está acontecendo? Fenômenos climáticos atípicos sempre aconteceram durante história humana, mas não com tanta freqüência. Há pessoas que digam que a culpa é do homem, outros dizem que é culpa de um ciclo natural terrestre. Ninguém ainda conseguiu provar qual das versões é a correta. No entanto, é provado que a terra já passou por mudanças climáticas graves quando já existiam humanos e essa não foi a primeira vez. Para explicar isso, seria melhor pedir a ajuda de um geógrafo, que pudesse entrar melhor em detalhes. Coincidentemente, Pedro Hauck é geógrafo: Glaciações
e aquecimento global: Texto: Pedro Hauck
Existem centenas de teorias
sobre as glaciações, mas nenhuma ainda é tida como
o paradigma mais certo de sua existência. O que não há
dúvidas é a existência de tais períodos. São
quatro os argumentos que podem explicar a origem de tal fenômeno. Argumento Geofísico: Estes procuram explicar as grandes glaciações na suposição da mudança na posição dos continentes. Segundo esta teoria, os continentes formavam até o fim do Paleozóico uma única massa, situando-se o pólo sul próximo ao extremo meridional deste continente. Isto explica a existência de rochas sedimentares originadas em ambientes glaciais no sul da América do Sul, África, Índia e Austrália. Entretanto estes materiais citados, como por exemplo, o Varvito e rochas Moutoneé de Itu (SP), são de idades muito antigas, assim esta teoria não explica a glaciação pleistocênica, por exemplo. Argumentos Astronômicos: Este referem-se às variações no movimento da Terra em relação ao Sol. Entretanto, se apenas este argumento estivesse correto, os períodos glaciais deveriam ser simétricos, pois o movimento da terra é uniforme e sincrônico e a geologia comprova que as glaciações não apresentaram uma periodicidade. Argumentos cósmicos: Estes explicam que nosso sistema planetário atravessa regiões frias em sua caminhada celeste. Outros admitem a existência de nuvens cósmicas ocasionais que dispensariam os raios solares, determinando com isto a queda na temperatura. A última grande glaciação, a de Würm-Wisconsin, ocorreu no final do período Pleistoceno para o início do Quaternário, ou seja, entre 18.000 a 10.000 anos. Neste período, a temperatura da terra foi muito mais fria que a atual. De lá para cá, a temperatura oscilou até 5.000 anos, esteve mais ou menos estável até aproximadamente 1.000 anos atrás, quando ela caiu, havendo na idade média uma pequena idade do gelo. De lá para cá, a temperatura subiu e hoje vivemos um período de aquecimento global: Último
1.000.000 de anos São nítidos os argumentos deste aquecimento. Quantitativamente temos os registros de temperatura que nos evidenciam um aquecimento médio de mais de 1 grau. Qualitativamente observamos um grande recuo de gelo nos pólos e nas montanhas, muitas avalanches de dimensões catastróficas, diminuição do permafrost em ambientes glaciais e periglaciais, auxiliando nas montanhas as avalanches de rocha e destruição por desmoronamento das vertentes. No mar, é evidenciado um aumento de nível na escala de alguns centímetros, que em se tratando de um oceano, calcula-se uma adição gigantesca de água de degelo. As temperaturas mais elevadas da água ainda contribuem para a formação de furacões e tufões, além de secas em alguns lugares e chuvas em outros, ou seja, numa alteração climática devido às mudanças de intensidade das correntes. Um dos argumentos mais aceitos para explicar o aumento das temperaturas globais é o efeito estufa. Este fenômeno teria como origem a destruição da camada de ozônio pela emissão de gases poluentes, como o gás carbônico resultado da queima de combustíveis fósseis. As geleiras são um registro natural do aumento destes gases na atmosfera. Quando há precipitação de neve e acumulação dela nas montanhas, é também acumulado o material em suspensão presente na atmosfera. Observou-se no gelo perfurado na Antártida que o carbono aumentava drásticamente a partir do período da revolução industrial, portanto deixa claro a influência do homem na mudança atmosférica global, e isto é uma prova sólida à favor deste argumento. Entretanto, também há quem acredite que o aumento de temperatura é algo inevitável, pois o planeta Terra estaria em um período interglacial, ou seja, um período entre duas glaciações, com temperaturas mais elevadas. Esta teoria tem sustentado a continuidade da emissão de gás carbônico na atmosfera, argumentando uma não necessidade de reduzir a poluição planetária e assim uma não desaceleração das atividades industriais e consumistas que alimentam a economia de países ricos e poderosos, como os Estados Unidos que se negam em assinar o protocolo de Kioto e assim reduzir sua produção de gases poluentes. Enquanto ainda não existe uma explicação para a origem do aquecimento global e também não há um esforço para se provar empiricamente a teoria do efeito estufa, vivemos a situação do degelo, que em algumas montanhas é muito evidente. O caso mais famoso e noticiado de recuo de gelo em montanha é o do Kilimanjaro, a montanha mais alta da África. Entretanto isto não se limita apenas às montanhas de baixas latitudes, sendo também visíveis em montanhas mais próximas aos pólos.
Como exemplo deste acontecimento, pudemos acompanhar um caso interessante de mudança de comportamento de gelo em período curto de tempo, apenas três anos em uma geleira de penhasco situada no Cerro Rincón, no oeste da Argentina. Como observado na foto, nota-se uma acentuada diminuição da presença dos nevés na porção superior da montanha, além de um aumento de detritos oriundos de avalanches sobre o gelo nas porções inferiores. O que a foto não diz é que no ano anterior à fotografia o inverno foi pouco rigoroso, assim como os anteriores. Isto contribuiu com a baixa acumulação de neve. O verão também foi atípico, havendo uma média de temperaturas mais elevadas e maior derretimento que na baixada resultou em aumento do nível dos rios com destruição de pontes e margens. Esta situação tem-se tornado comum na Argentina e ao longo da cordilheira dos Andes. Desta forma, com um permafrost mais suave, acentua o desmoronamento das rochas das vertentes das montanhas, contribuindo com o aumento de detritos sobre o gelo, como pode ser visto na fotografia. Para os escaladores isto significa perigo, pois há aumento de avalanches, principalmente de rochas. Outra observação que pode servir para mostrar a pouca acumulação e acentuada ablação é o nítido aumento do bergschrund da montanha verificado na foto. Esta ilustração mostra apenas um pouco dos efeitos das mudanças ambientais que estão ocorrendo no mundo. É evidente que o homem tem sua culpa neste fenômeno, pois desde que existe civilização transformamos a natureza para favorecer nossa existência. Porém, estas alterações, que durante séculos favoreceram o homem das adversidades naturais têm agora posto em cheque nossa lutada existência. Enfrentamos um grande dilema que é proteger nossa economia ou proteger nossa natureza, uma escolha que sem ter a certeza das causas pode levar para um econômicos ou ecologismo suicida. A experiência tem mostrado que a primeira opção é a que tem prevalecido. Leia também: Água
dura - Uma revisão sobre geleiras em montanhas
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